Transformação Digital no RH: A Pandemia Acelerando Processos

Uma matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, afirma que a pandemia da Covid-19 acelerou a transformação digital das empresas. A reportagem trata da pesquisa global CEO Outlook 2020, realizada pela consultoria KPMG. Segundo o estudo, 80% dos executivos ouvidos afirmaram que “a digitalização das operações teve avanços” e 30% disseram que essas mudanças “colocaram o negócio meses e até anos à frente do que eles esperavam”.

A transformação digital, que antes era apenas um “futuro distante”, tornou-se realidade para muitas empresas. Essa mudança obrigatória e ocorrida a “toque de caixa” trouxe à tona a complexidade dos processos que passam pelos profissionais de um Departamento como o de Recursos Humanos.

Para atender às demandas trazidas pela crise da Covid-19, o uso de tecnologia se faz necessário para adaptar-se à nova realidade, com a atuação de times em modelo remoto, por exemplo. Outro ponto de destaque: companhias com grandes volumes de candidatos, ou que procuram pessoas com habilidades específicas, já estão investindo em tecnologias de Inteligência Artificial.

Essas mudanças de paradigmas fortalecem os negócios não só em tempos de crise, mas também quando a pandemia passar. 

Alterações nos processos tradicionais

É possível apontar como o principal objetivo das mudanças impostas pela transformação digital dar mais agilidade aos procedimentos internos, aumentando a produtividade da equipe e tornando as ações mais assertivas e eficientes. Quando as companhias deixam de lado processos lentos e burocráticos, passam a ter autonomia e agilidade nos processos, tornando-se mais capazes de agir diante de mudanças externas inesperadas.

Essa metamorfose exige uma mudança de cultura, da mentalidade de gestores e colaboradores visando estabelecer uma atmosfera de ousadia para que os benefícios sejam percebidos por todo o ecossistema envolvido nos processos. 

Uma tecnologia que tem mudado a forma que grandes empresas operam é a inteligência artificial, que tem sido aplicada em diversas áreas, desde Vendas até Desenvolvimento de Produtos, e o RH não fica de fora: a AI pode mudar drasticamente como processos seletivos são conduzidos, tornando-os mais rápidos, eficazes e justos. 

Um relatório do Mckinsey Global Institute calcula que, até 2030, as companhias que conseguirem aplicar IA às suas operações dobrarão seu fluxo de caixa, enquanto as retardatárias terão baixa de 20% nessa mesma métrica.

E investimentos em IA de fato não são apenas uma visão para o futuro, já estando presentes e fortes mesmo durante a atual crise causada pela pandemia do Covid -19. 

O Gartner, líder mundial em pesquisa e aconselhamento para empresas, realizou uma consulta em setembro de 2020 com cerca de 200 profissionais de negócios e de tecnologia que indica que 24% das organizações aumentaram seus investimentos em aplicações relacionadas à Inteligência Artificial e 42% das empresas mantiveram seus projetos inalterados, mesmo depois do início da pandemia. Já 75% dos entrevistados afirmam que continuarão ou iniciarão novas iniciativas de Inteligência Artificial à medida que ocorra uma retomada pós-pandemia em suas organizações.

De acordo com a mesma pesquisa, 79% dos entrevistados disseram que suas organizações estavam explorando ou testando projetos de Inteligência Artificial, enquanto apenas 21% afirmaram que suas iniciativas relacionadas à área já estavam em produção.

Agilidade, mudança cultural e ganhos financeiros

A transformação digital no RH integra todas as ações do Departamento, usando tecnologias disponíveis para compartilhamentos online e análises de métricas em tempo real.

Em posse das informações adequadas é possível identificar insatisfações e abrir um diálogo com os colaboradores insatisfeitos ou desajustados com as políticas corporativas. Os líderes podem compreender exatamente o que acontece em suas áreas, podendo criar estratégias e planos de ação para resolver os problemas.

A automação nas funções mais mecânicas, além de agilizar os trâmites, permitirá que os funcionários do Departamento possam ter suas mentes livres para focar em projetos mais criativos. A tecnologia permite à empresa um aumento na agilidade, reduz os erros  e, por consequência, aumenta a competitividade no mercado.

Mas esse RH digital deve ir além de incorporar ferramentas tecnológicas: ele é responsável pela construção de uma cultura organizacional com foco na revolução do comportamento. O Departamento deve combinar estratégia, informação e conhecimento para melhorar a qualidade de vida e a satisfação de todos os envolvidos no processo. 

Em síntese, o mercado cada vez mais demanda respostas rápidas das corporações, fundamentalmente, quando o tema é gestão de pessoas, pois em um cenário de incerteza e mudança das relações de trabalho, é essencial preciso encontrar, estimular, treinar e reter talentos para enfrentar os novos desafios da atualidade.

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